De volta à seleção, Ricardinho encara ansiedade: ‘É um recomeço’

Ricardinho dirigia seu carro por Araçatuba quando recebeu a notícia, através de uma ligação de Basílio Torres, diretor do Vôlei Futuro. Naquele momento, o levantador voltou cinco anos no tempo, direto para o pódio montado na quadra do ginásio da cidade de Katowice, na Polônia. Lá, havia guiado a seleção brasileira ao sétimo título da Liga Mundial, depois de vencer a Rússia na decisão. Ao levantar o troféu e assinar camisas e fotos de torcedores, o jogador comemorava sua última conquista com a equipe até hoje. Mas a lista divulgada pelo técnico Bernardinho, na noite de sexta-feira, renovou as esperanças de novas vitórias. De volta à seleção para a disputa da mesma Liga Mundial, Ricardinho encara a ansiedade como um iniciante.

– É tudo um recomeço, eu me sinto um aluno que vai voltar à escola, com aquela vontade de encontrar os colegas. É uma ansiedade natural, estou feliz por estar de volta. O desafio não vai ser só no jogo, vai ser durante todo o trabalho em Saquarema. Não é fácil, todo desafio tem sempre suas dificuldades. Espero entrar no ritmo o mais rápido possível. É um trabalho muito puxado, forte. E preciso focar. É o primeiro desafio, sou um cara com os pés no chão, muito centrado nesse sentido. Vou separar e encarar esses desafios parte a parte. Tudo vai ser uma emoção maravilhosa, tudo começa por ali, em Saquarema – disse o levantador, em entrevista por telefone ao GLOBOESPORTE.COM.

No total, são quase cinco anos longe da seleção. Dias depois da conquista daquela Liga Mundial na Polônia, Ricardinho foi cortado da equipe que disputaria os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Agora, com as lembranças passando em série pela cabeça, o levantador comemora o retorno e a chance de, quem sabe, voltar a disputar uma Olimpíada.

– Estou muito feliz. Poder estar num grupo tão elitizado é um orgulho muito grande. Fiz parte desse processo todo por um período bem grande. Foram muitas vitórias, alegrias e, claro, tristezas. Mas, apesar das tristezas, nos divertimos muito. São lembranças boas. Estou vivendo um retrospecto de que tudo que eu já tinha passado, está voltando tudo. Fico realmente muito honrado. É muito bom ver que o Bernardo ainda me considera um grande levantador. Tenho realmente que agradecer – disse o levantador, campeão em Atenas-2004.

Após o vice da Superliga com o Vôlei Futuro, Ricardinho encontrou Bernardinho para a conversa que tanto esperava. Lá, garante o levantador, todas as mágoas chegaram ao fim.

ricardinho bernardinho seleção brasileira vôlei (Foto: Reuters)Bernardinho e Ricardinho voltarão a trabalhar juntos a partir de terça-feira (Foto: Reuters)

– Batemos um papo muito bacana, saudável, que me deixou muito feliz. Ali, eu já estava contente, independentemente se seria convocado ou não. Vi que tudo o que eu vinha falando há cinco anos estava certo, tudo tinha ficado bem. E, agora, ele deixou claro a todo mundo qual é a sua posição. São apenas dois levantadores na lista (Bruninho também foi convocado).

Mesmo antes da divulgação da convocação, Ricardinho vinha conversando com Giba, que já está no CT de Saquarema, cuidando da fase final de recuperação da lesão na tíbia esquerda.
Segundo o levantador, o ponteiro tem passado o clima da parte do grupo que já está treinando.

– Eu venho conversando com o Giba por telefone, ele tem esse feedback da galera. Conversando sobre o que está rolando, a contusão dele, o papo que nós sempre tivemos, fomos companheiros de quarto por um período muito grande. Eles deveriam estar sabendo antes do que eu, eu imagino. Acho que (a lista) não era uma novidade para muitos deles, mas estou muito feliz por voltar e quero começar a trabalhar o mais rapidamente possível.

Da noite de sexta à manhã deste sábado, Ricardinho se dividiu entre comemorações com a família e entrevistas para a imprensa. Mesmo assim, o levantador garante já ter pensado nos adversários que o Brasil vai encarar na primeira fase da Liga Mundial.

– Eu, depois da notícia, já comecei a pensar na rotina de trabalho. Eu sou um cara movido a desafio, já pensei em todas as seleções, as que são do nosso grupo, as que não são. Nesses últimos anos, acompanhei a maioria dos jogos do Brasil, as outras seleções, prestando muita atenção aos centrais adversários. Eu gravo bem as características. Não assisto aos jogos como torcedor, vejo tudo analisando, pensando na estratégia. Já estou me imaginando em quadra novamente, sem dúvida.

Ricardinho se apresentará no Aryzão, o Centro de Desenvolvimento do Voleibol, em Saquarema (RJ), na próxima terça-feira. A primeira parada da seleção brasileira será no Canadá, onde o Brasil jogará nos dias 18, 19 e 20 de maio, no Ricoh Coliseum, em Toronto. De lá, a equipe comandada pelo técnico Bernardinho seguirá para Katowice, na Polônia, onde jogará nos dias 1º, 2 e 3 de junho, no ginásio Spodek.

Na terceira fase, a seleção estará em casa, no ginásio Adib Moysés Dib, em São Bernardo do Campo (SP), nos dias 8, 9 e 10 de junho. Na última etapa, os quatro países jogarão em Tampere, na Finlândia, nos dias 15, 16 e 17 de junho.

A fase final da Liga Mundial 2012 será em Sofia, na Bulgária, de 4 a 8 de julho, entre seis times – os primeiros de cada grupo, o melhor segundo colocado, além do país-sede -, que estarão divididos em dois grupos. Os dois primeiros de cada um avançam para as semifinais do campeonato.

FONTE: Globo Esporte

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